
I
Antes do início havia a pré-condição
E antes um Deus nunca pensado.
No início já não há início:
Estamos no segundo ato da missão.
A arte não espera o homem,
Começa antes de sua aparição.
A mão vem depois da criação,
A marca vive no caos que some.
Esta criação é propriedade da Natureza,
Este território é cultura da existência
Onde há sentido, amor e pensamento,
Logo um rosto - paisagem e (...)
Quando Lula tomou posse, uma de suas primeiras atividades foi reunir seu ministério e levá-lo até Guaribas, sertão do Piauí. Andando longo trecho de ônibus, os ministros que só conheciam o sertão pelos livros e TVs, puderam pôr o pé na realidade. O gesto era simbólico e, como já advertia Frei Betto, não era a revolução, mas era o que podia um governo eleito pelo voto. Lula proclamara o "Fome Zero" como uma das metas principais de seu governo. Depois, diante de observações feitas aqui das bases do Nordeste, o próprio Ministério do Meio Ambiente proclamou o "Sede Zero". De qualquer forma, soava diferente de todos os governos anteriores. (...)
Todo o pensamento ocidental está baseado no racionalismo, fonte e finalidade do eu, mesmo que se refira, neste pensar, ao outro. Mas o outro está sempre referido, nunca é o centro da estrutura do pensamento. O centro está sempre no homem, até nos mais auspiciosos humanismos. E o homem é o centro do mundo, o eu do mundo. O outro não é o homem. O outro é o Rosto que me apela. É a exterioridade do ser, para fora de toda a topologia do ser. O outro é o Infinito, e não a Totalidade fechada sobre o absoluto. O outro está aberto para que eu penetre e o substitua, o salve da violência, e o salve até mesmo da (...)